Silos de Armazenamento: como combater os riscos de acidentes

Tiago Maciel
Tiago Maciel
Publicado em
Tempo de leitura de 7 minutos

Desde a década de 1980, o uso de silos de armazenamento de grãos na agropecuária tem aumentado consideravelmente – junto a isso, cresceu também os risco de acidentes entre os trabalhadores que lidam com os silos diariamente.

Em março de 2022, as exportações do agronegócio atingiram o valor recorde de US$ 14,53 bilhões de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A partir deste contexto, é possível perceber como a popularização destes armazéns se tornou cada vez maior nas últimas décadas.

Esses espaços ofereçam vantagens com relação a outros métodos de armazenamento, dentre os quais podemos destacar:

  • Menor perda de peso dos grãos;
  • Menor umidade e maior proteção contra insetos e outros animais
  • Mais economia e mais facilidade de construção do que outros tipos de estruturas de armazenamento.

Apesar disso, é necessário que as empresas e os gestores que os utilizam estejam cientes de que se trata de espaços confinados, e que precisam seguir as recomendações de segurança para salvaguardar o bem-estar e a vida dos seus colaboradores.

Em 2018, a BBC Brasil fez uma reportagem especial sobre a morte dos ajudantes Edgar Jardel Fragoso e João de Oliveira Rosa na Cooperativa C. Vale, em São Luiz Gonzaga, no RS. Enquanto tentavam desobstruir o duto caminhando sobre os grãos, os dois afundaram nas partículas e acabaram perdendo suas vidas sendo asfixiados em poucos segundos, encobertos por várias toneladas de soja.

Este não foi um caso isolado, uma vez que, de acordo com a apuração da reportagem, 106 pessoas morreram em silos de grãos no país, a grande maioria por soterramento, de 2009 a 2018.

Embora os silos sejam construções importantíssimas para a produção na indústria alimentícia, já que armazenam grandes quantidades de grãos, eles são considerados um dos lugares mais críticos para se trabalhar, e, por isso, exigem cuidados especiais.

Confira no nosso artigo quais são os riscos do trabalho em espaços confinados

No Brasil, a norma regulamentadora que visa estabelecer critérios e parâmetros de Saúde e Segurança do Trabalho para a realização do ofício em silos é a NR-33.

A NR-33, que fala sobre espaços confinados, tem o objetivo de garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores quando há o armazenamento de grãos em silos.

Saiba mais detalhes sobre a NR-33 no nosso artigo sobre o tema

Visando compreender melhor quais são os principais perigos do trabalho em silos e evitar que os soterramentos continuem sendo um risco no trabalho dos operários, separamos algumas recomendações de como combater essa ameaça.

O que fazer para evitar os riscos de soterramento em silos de grãos?

De modo geral, é preciso estar atento para intervenções contínuas, como a armazenagem correta de grãos, treinamento dos trabalhadores e o uso de equipamentos adequados para preservar a segurança e a vida dos trabalhadores.

No caso de soterramentos e engolfamentos em espaços confinados, que são os perigos mais constantes neste tipo de ofício, é preciso armazenar os grãos corretamente – até porque, se o nível de umidade nos silos for mantido em 14% ou menos, não ocorre a formação de “pontes de grãos”, evitando esses tipos de acidentes.

Outro fator que potencializa as chances deste tipo de acidente é o acúmulo de “grãos podres”. Por isso, uma fiscalização constante com relação ao armazenamento e a qualidade dos grãos já evita efetivamente o soterramento dos trabalhadores.

Além disso, existem outras maneiras de manter a segurança nas unidades de armazenamento. Confira a seguir:

1. Elaboração de uma Análise Preliminar de Risco (APR)

A Análise Preliminar de Risco (APR) é uma etapa importante para a execução de trabalho em espaços confinados de acordo com a NR-33. A APR permite que os trabalhadores identifiquem os riscos presentes em um espaço confinado, avaliem esses riscos e elaborem um plano de trabalho seguro.

Dentre os campos que devem estar presentes nesta análise, podemos destacar:

  • Atividades: neste campo, a ideia é que sejam descritas as atividades que serão realizadas pelo empregador;
  • Riscos potenciais: aqui, é necessário descrever quais são os riscos potenciais das atividades, especialmente aquilo que pode oferecer algum perigo durante as operações de trabalho;
  • Medidas preventivas/recomendações de segurança: para evitar que os acidentes aconteçam, neste campo é preciso descrever as ações que devem ser tomadas para que a execução do trabalho seja feita de forma segura entre todos os envolvidos.

As informações levantadas na APR devem ser analisadas e avaliadas por um profissional qualificado, que deve elaborar um relatório detalhado contendo as medidas de controle necessárias para minimizar os riscos ocupacionais identificados.

A APR deve ser revisada periodicamente, sempre que houver alterações no ambiente de trabalho ou na forma como os trabalhadores estão expostos a esses agentes nocivos.

2. Certificação e fiscalização da Permissão de Entrada e Trabalho (PET)

A PET (Permissão de Entrada e Trabalho) é um documento oficial que garante que os trabalhadores sejam devidamente treinados e equipados para trabalhar em segurança em espaços confinados. Além disso, a PET também fornece uma lista de verificação para garantir que os espaços confinados sejam adequadamente limpos, ventilados e iluminados antes do início do trabalho.

Esse documento deve conter informações detalhadas sobre o espaço confinado, incluindo seus limites, acessos e saídas, bem como os riscos identificados e os controles implementados para minimizar esses riscos. Além disso, a PET deve especificar o papel de cada pessoa envolvida na entrada ou na execução de tarefas em um espaço confinado, incluindo supervisores e vigias.

Conheça as principais diferenças entre supervisores e vigias de espaços confinados

Ambos os profissionais devem estar familiarizados com todos os riscos envolvidos e devem ter a PET em mãos antes de autorizar qualquer pessoa a entrar no local. Além disso, supervisores e vigias devem monitorar constantemente as condições do espaço confinado e estar prontos para intervir se alguma coisa der errado. Eles também devem ter acesso às ferramentas e equipamentos necessários para resgatar qualquer pessoa que fique presa em um espaço confinado.

3. Uso de EPIs e EPCs

Um fator indispensável para a segurança dos trabalhadores em silos de armazenamento é a disponibilização e uso correto de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e de EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva).

Dentre os Equipamentos de Proteção Individual mais comuns para os trabalhadores que atuam em silos e armazéns, podemos citar:

  • Capacete com jugular;
  • Luvas (em PVC ou raspa);
  • Trava-quedas e acessórios;
  • Botas de segurança;
  • Óculos de segurança.

Já com relação aos EPCs, que são os equipamentos para a proteção coletiva dos colaboradores que trabalham diariamente nestes tipos de armazém, é possível citar:

  • Ventilador/insuflador de ar;
  • Rádio para comunicação;
  • Tripé;
  • Detector de gases e/ou poeiras;
  • Lanternas apropriadas;
  • Sistema autônomo com peça facial.

4. Capacitação de funcionários de acordo com a NR-33

Oferecer treinamento para os operários de silos de armazenamento é importante para garantir sua segurança, bem como para assegurar o cumprimento das normas regulamentadoras.

Os treinamentos devem abordar os principais riscos presentes nos espaços confinados, como os riscos de asfixia, intoxicação e incêndio. Também é importante que os operários sejam treinados para reconhecer os sinais de perigo e saber como agir em caso de emergência.

Além disso, é importante que os treinamentos sejam repetidos periodicamente para garantir que os operários estejam sempre atualizados sobre as normas e procedimentos de segurança.

O setor de grãos é muito importante para a economia nacional. Apesar disso, ainda há problemas que precisam ser resolvidos. O grande número de acidentes de trabalho em silos e armazéns graneleiros é exemplo disso.

A Beta Educação oferece cursos de capacitação em NR-33 para as empresas que têm os silos como espaços de armazenamento, tanto para supervisores quanto para vigias.

Conheça o curso de capacitação em NR-33 para Supervisores em Espaços Confinados

Tiago Maciel
Tiago Maciel

Tenho mais de 15 anos de experiência traduzindo as NRs para o dia a dia das empresas.

Sou Especialista em educação corporativa na EDUSEG, onde a conformidade encontra a inovação.

Pra mim a segurança não é apenas um papel, é aprendizado contínuo.

Escute esse post

00:00
Quer ler os artigos da EDUSEG® em primeira mão?