Por que o improviso ainda causa tantos acidentes nas empresas

Tiago Maciel
Tiago Maciel
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Tempo de leitura de 3 minutos

As empresas evoluíram. As máquinas ficaram mais seguras, as normas mais claras e os processos mais organizados. Ainda assim, acidentes continuam acontecendo. Na maioria das vezes, a causa não é a ausência de regra, mas o desvio dela. Ou seja, o improviso segue sendo um dos maiores vilões da segurança.

Segundo dados da Fundacentro, mais de 60% dos acidentes de trabalho estão ligados a desvios de procedimento. Portanto, o problema não está apenas no risco técnico, mas na decisão tomada sob pressão. Dessa forma, combater o improviso se torna prioridade estratégica.

1. O que realmente é improviso no trabalho

Improviso não é criatividade. Na prática, é executar tarefas fora do procedimento, sem análise de risco ou sem preparo adequado.Além disso, ele costuma surgir quando:

• o tempo está curto• o processo é confuso• o treinamento foi superficial• o risco virou rotina• a supervisão falha

Consequentemente, o colaborador decide no impulso. Em seguida, o risco aparece.

2. Por que o improviso ainda acontece em empresas modernas

Mesmo com tecnologia disponível, o improviso persiste. Isso ocorre porque fatores humanos e organizacionais continuam presentes.

a) Pressão por resultado

Quando metas falam mais alto que segurança, atalhos surgem. Assim, procedimentos são ignorados para “ganhar tempo”.

b) Treinamentos genéricos

Treinar por obrigação não prepara para exceções. Por isso, quando algo sai do padrão, o colaborador improvisa.

c) Normalização do risco

O famoso “sempre foi feito assim” reduz a percepção de perigo. Entretanto, o risco não desaparece.

d) Liderança distante

Sem acompanhamento, desvios passam despercebidos. Com o tempo, viram hábito.

3. O que os dados mostram sobre improviso e acidentes

Estudos da OSHA mostram que cerca de 80% dos acidentes graves envolvem comportamentos inseguros previamente observados.Além disso, relatórios do HSE indicam que improvisos operacionais aumentam em até 300% o risco de acidentes fatais em atividades críticas.

Ou seja, o acidente raramente é inesperado. Na verdade, ele é construído aos poucos.

4. Improviso não é atitude. É falha de sistema

Muitas vezes, o improviso é confundido com proatividade. No entanto, segurança não funciona na base do “jeitinho”.Quando alguém improvisa, geralmente está tentando compensar:

• falhas de processo• falta de recurso• ausência de treinamento• pressão da liderança

Portanto, punir o colaborador sem corrigir o sistema não resolve o problema. Pelo contrário, perpetua o risco.

5. Como reduzir o improviso na prática

Eliminar improvisos exige ação contínua. Primeiro, é preciso preparar pessoas. Depois, estruturar processos. Por fim, sustentar a cultura.

a) Treinar para situações reais

Treinamentos eficazes abordam exceções. Assim, a equipe sabe agir sem improvisar.

b) Criar procedimentos simples

Quando o procedimento cabe na rotina, ele é seguido. Caso contrário, vira papel morto.

c) Estimular o reporte

Ambientes seguros para comunicação reduzem desvios. Além disso, riscos são corrigidos antes de virar acidente.

d) Liderança presente

Gestores próximos reduzem atalhos. Consequentemente, a segurança se fortalece.

6. O custo invisível do improviso

Improvisar custa caro. Muito caro.Segundo a ILO, cada real gasto com acidentes gera até quatro reais em perdas indiretas.

Entre elas estão:

• afastamentos• paralisações• retrabalho• multas• danos à reputação

Assim, improvisar nunca é economia. É prejuízo disfarçado.

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📚 REFERÊNCIAS

• Fundacentro — Estatísticas de Acidentes de Trabalho• OSHA — Safety and Health Statistics• ILO — Global Estimates of Occupational Accidents• HSE — Human Factors and Workplace Safety• ABNT — Sistemas de Gestão de SST

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