NR-1 e PGR: 8 passos para adaptar o GRO aos riscos psicossociais
Tabela de conteúdo
- Entenda o que precisa constar obrigatoriamente no PGR
- Os principais impactos práticos para empresas
- Plano prático: 8 passos para adaptar o GRO aos riscos psicossociais
- A aplicação prática: exemplos reais
- Riscos e consequências de não agir
- Como a EDUSEG pode apoiar sua empresa nessa jornada
- Conclusão
- Perguntas frequentes sobre GRO, PGR e riscos psicossociais
- O que é risco psicossocial no trabalho?
- Como adaptar o GRO aos riscos psicossociais?
- Quais os principais riscos psicossociais?
- NR-1 exige PGR para riscos psicossociais?
- Como identificar riscos psicossociais na empresa?
No cenário atual das Normas Regulamentadoras no Brasil, a nova redação da NR-1, em especial o capítulo 1.5, transforma de forma prática a legislação sobre Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), agora, torna-se um instrumento ainda mais operacional, detalhado e abrangente. Com início da fiscalização previsto para 26 de maio de 2026, todas as empresas, independentemente do porte, precisam se adaptar para incluir os riscos psicossociais no seu processo de gestão de segurança, um passo que oficializa a saúde mental como parte integrante da avaliação dos riscos corporativos.
Segundo publicação do Ministério do Trabalho e Emprego, a atualização da NR-1 destaca fatores como estresse, assédio, burnout, violência no trabalho, sobrecarga, metas abusivas e jornadas exaustivas como pontos obrigatórios da análise do ambiente laboral. Isso exige uma mudança imediata e consistente na forma como as organizações olham e documentam os riscos psicossociais nos seus processos.
Saúde mental na segurança do trabalho não é mais opção.
Entenda o que precisa constar obrigatoriamente no PGR
O PGR passa a atender não só os riscos físicos, químicos e biológicos, mas também aqueles que afetam a mente e o comportamento humano. De acordo com a nova norma:
- Inventário de riscos ocupacionais atualizado, detalhando todos os fatores de risco, inclusive psicossociais;
- Plano de ação, com prazos, responsáveis, critérios de monitoramento, indicadores claros e evidências de implementação das ações;
- Documentação disponível, tudo precisa estar prontamente acessível para inspeção, sindicatos e trabalhadores;
- Análise detalhada e registro, de acidentes, adoecimentos e medidas corretivas/preventivas tomadas, inclusive em empresas sem SESMT (NR-4);
- Mecanismos de consulta e participação, especialmente com a CIPA, quando presente;
- Coordenação entre empresas, quando ambientes são compartilhados, troca de inventários e definição de ações conjuntas são obrigatórias;
- Revisão periódica do PGR, ao menos a cada 2 anos ou sempre que houver alterações, ocorrências ou reclamações;
- Históricos preservados, por no mínimo 20 anos.
Esses requisitos tornam a estrutura do GRO e do PGR detalhada e com alto potencial de impactos legais e organizacionais.
Os principais impactos práticos para empresas
Com a entrada em vigor dessas exigências, os impactos atingem toda a cultura interna das organizações. O crescimento dos afastamentos por doenças ligadas à saúde mental preocupa: só em 2025, foram concedidos mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais, crescimento de 15,66% em relação a 2024, segundo a Previdência Social (dados da Previdência Social).
O GRO passa a demandar atenção especial de lideranças, equipes de RH e compliance, que precisam agir de forma direta na organização do trabalho, ajustando contratos e integrando equipes entre empresas. Além disso:
- Aumenta o risco jurídico, facilitando autuações e ações trabalhistas;
- Gera a necessidade de mudanças em metas, jornadas, modos de comunicação e políticas de prevenção de assédio;
- Impõe implantação de indicadores para monitoramento constante;
- Obriga manutenção de documentação detalhada, revisada e assinada;
- Exige históricas de registros e ações por décadas.
Plano prático: 8 passos para adaptar o GRO aos riscos psicossociais
Com base em nossa experiência na EDUSEG, estruturamos o plano abaixo para apoiar empresas nesse processo:
- Atualizar (ou criar) o inventário de riscos ocupacionais incluindo fatores psicossociais. Use entrevistas, questionários anônimos e análise documental para captar dados do ambiente real.
- Definir critérios documentados de severidade e probabilidade para todos os riscos. Aplique matriz probabilística, checklists e registre claramente os níveis de risco.
- Para cada risco identificado, construir um plano de ação. Especifique: ação, prazo, responsável, indicadores de controle e quais evidências comprovarão a execução.
- Priorizar riscos mais graves e grupos de trabalhadores mais expostos. Isso significa tratar primeiro áreas ou cargos onde há mais relatos de excesso de estresse, assédio ou pressão.
- Focar mudanças na organização do trabalho. Rever distribuição das tarefas, jornadas, metas, fluxo de comunicação, criar canais de denúncia seguros e implementar políticas antiassédio. Inclua treinamentos periódicos para equipes e líderes, e documente toda consulta aos trabalhadores e CIPA.
- Revisar contratos de terceirização e integração. Garanta a troca regular de inventários e a definição clara de responsabilidades preventivas entre empresas que compartilham espaço.
- Criar indicadores de desempenho específicos. Acompanhe absenteísmo, rotatividade, resultados de pesquisas de clima e de riscos psicossociais. Reavalie as ações no mínimo a cada dois anos.
- Manter registros completos e históricos assinados. Atas, registros de incidentes, evidências de ações executadas e até exercícios simulados precisam estar organizados para mostrar o comprometimento real frente à fiscalização.
Detalhamos ainda mais essa implementação no nosso artigo sobre o plano de ação para empresas.
A aplicação prática: exemplos reais
Vemos que, na indústria pressionada por metas agressivas, a adaptação exige revisar metas, assumir controle do banco de horas, ampliar rodízio de funções e adotar pesquisas regulares de estresse junto aos funcionários. Essas medidas precisam estar formalmente registradas no inventário e plano de ação do PGR.
Já em escritórios com histórico de conflitos interpessoais, a elaboração de política antiassédio, aliada a canais de denúncia realmente confidenciais, faz a diferença. O registro de denúncias tratadas, decisões de RH e treinamentos aplicados tornam-se prova de que a empresa adotou o que a legislação exige.
Cada medida adotada precisa ser documentada em detalhes.
Riscos e consequências de não agir
Dados do mercado, como dos afastamentos por doenças psicossociais, mostram o custo real para quem ignora a saúde mental no trabalho: autuações, multas, aumento do número de processos trabalhistas, produtividade reduzida, elevação do absenteísmo e rotatividade.
Estudo da Universidade de São Paulo destaca: a proteção jurídica da saúde mental já é um caminho sem volta, e a não adaptação pode gerar passivos expressivos em múltiplas frentes.
Como a EDUSEG pode apoiar sua empresa nessa jornada
Nós, da EDUSEG, atuamos desde 2012 apoiando médias e grandes empresas de setores como transformação, engenharia, saúde e agro a cumprir, documentar e auditar seus processos de treinamento e gestão do GRO/PGR. Oferecemos trilhas de capacitação com foco em saúde mental, prevenção, comportamento e liderança, além de consultoria para revisão do PGR já adaptado às exigências da nova NR-1.
Além disso, criamos rotinas automatizadas que simplificam o registro de consultas, emissão de relatórios, organização do inventário e histórico das ações tomadas, tudo centralizado em uma plataforma digital fácil para RH, líderes e compliance.
Veja mais sobre as atualizações da NR-1 para riscos psicossociais e sobre como começar o GRO na sua empresa.
Conclusão
O cenário de gestão de riscos ocupacionais mudou e não há retorno: cuidar da saúde mental e da organização do trabalho é agora regra, e não mais exceção legal. As empresas que aproveitam esse movimento têm a oportunidade de fortalecer ambiente interno, reputação, engajamento e de reduzir perdas concretas, seja por autuações, processos ou baixa retenção de talentos.
A EDUSEG oferece treinamentos focados em saúde mental, prevenção e processos comportamentais para ajudar sua empresa a garantir ambientes seguros, colaborativos e adequados à nova legislação. Agende uma demonstração e simplifique sua adaptação à NR-1.
Perguntas frequentes sobre GRO, PGR e riscos psicossociais
O que é risco psicossocial no trabalho?
Risco psicossocial no trabalho são situações relacionadas à forma como as tarefas, relações, metas ou jornadas são organizadas, que afetam a saúde mental do colaborador. Exemplos: excesso de cobrança, assédio moral ou sexual, jornadas muito extensas, metas abusivas, clima de hostilidade, exposição a situações humilhantes ou constrangedoras, sobrecarga ou isolamento social.
Como adaptar o GRO aos riscos psicossociais?
Para adaptar o GRO, é preciso atualizar o inventário de riscos incluindo fatores psicossociais com base em entrevistas, questionários anônimos e análise documental; criar planos de ação claros para atacar cada risco; priorizar os riscos mais graves; focar mudanças na organização do trabalho; revisar contratos e promover integração entre empresas, estabelecer indicadores de saúde mental e manter registros detalhados. Essas etapas tornam a proteção efetiva e demonstrável.
Quais os principais riscos psicossociais?
Os principais riscos psicossociais são: estresse relacionado ao trabalho, assédio moral ou sexual, burnout, violência psicológica, sobrecarga de trabalho, metas abusivas, jornadas exaustivas, isolamento, falta de reconhecimento e ambientes com conflitos recorrentes.
NR-1 exige PGR para riscos psicossociais?
Sim, após a atualização de agosto de 2024, a NR-1 tornou obrigatório que todos os riscos psicossociais sejam incluídos no PGR como parte integrante do GRO, com registro e plano de ação detalhado, fiscalização prevista a partir de 2026. Todas as empresas precisam incluir esses fatores, seguindo o que traz o capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1.
Como identificar riscos psicossociais na empresa?
A identificação dos riscos psicossociais pode ser feita por meio de entrevistas com trabalhadores, aplicação de questionários anônimos, análise documental, revisão de casos de afastamentos por transtornos mentais, consultas à CIPA e avaliação de denúncias e incidentes registrados. Um olhar atento ao clima organizacional e indicadores como absenteísmo e rotatividade também ajudam a antecipar problemas.
Confira também conteúdos complementares sobre o que é PGR e perguntas e respostas sobre o PGR.
Tenho mais de 15 anos de experiência traduzindo as NRs para o dia a dia das empresas.
Sou Especialista em educação corporativa na EDUSEG, onde a conformidade encontra a inovação.
Pra mim a segurança não é apenas um papel, é aprendizado contínuo.